Os dez anos na revista Placar pautaram a segunda palestra do dia, com Sérgio Xavier, que começou às 19h15 devido aos atrasos nos aeroportos. O jornalista sequer citou sua carreira como editor da revista IstoÉ e no jornal O Estado de S. Paulo.
Em uma hora e meia de palestra, o público participou ativamente das perguntas e questionamentos do jornalista.
A história da revista da editora Abril, cinco andares abaixo da redação de Veja, começou em 1970, em época de preparação para a Copa do Mundo do mesmo ano. Segundo Xavier, as vendas começaram mal e a publicação passou de semanal para ser distribuída mês a mês. Desde então, Placar começou a buscar a interação com um público cada vez mais jovem, o que explica as grandes mudanças nos logos da revista.
Com o escândalo das fraudes nas loterias esportivas, Placar começou a desenvolver uma nova linha editorial que dava mais atenção às reportagens de denúncia no futebol brasileiro. Mas o público cansou, de acordo com Sérgio Xavier, então diretor de redação da revista. "Futebol também é descontração, senso de humor, o público cansou de escândalo", confessou.
Mesmo se distanciando do viés investigativo, Xavier garante que se faz jornalismo na Placar antes de se fazer esporte. "As matérias da revista devem ser aprofundadas e ir até o fim da meada", afirmou. Para o jornalista, o diferencial do jornalismo da Placar está na capacidade de observação dos repórteres e na excelência fotográfica.
Nos slides-shows expostos durante a palestra, Xavier mostrou inúmeras fotos de grandes eventos esportivos, como um gol de Ronaldo na Copa de 2002 em que todos os jornais estamparam a foto do jogador, após um gol, na capa das edições. A Placar exibiu uma imagem da bola entrando na trave, sob um ângulo peculiar.
O jornalista afirmou que os fatos tem mais força que opiniões, e aproveitou para criticar a revista mais vendida da editora: "A Veja exagera nisso", concluiu. Entre as perguntas dos estudantes, Xavier discorreu sobre as maravilhas de se cobrir as Copas do Mundo para o lado pessoal e do ponto de vista humano do jornalista. "Para trabalhar, as copas são um lixo", esmiuçou, diante das dificuldades de contato com os jogadores. Quando questionado sobre sua opinião acerca do país sediar ou não uma Copa do Mundo, Xavier foi rápido: " Dá pra fazer Copa no Brasil, o problema é a corrupção, o quanto vai se meter a mão para fazer um evento desses".
terça-feira, 23 de outubro de 2007
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